Notícias

Polícia Federal cumpre mandado na casa de Bolsonaro e STF impõe tornozeleira eletrônica

Ministro Alexandre de Moraes aponta risco de fuga para os EUA; operação apreende dinheiro vivo, pen drive escondido e documento ligado à plataforma Rumble
  • Categoria: POLÍTICA
  • Publicação: 18/07/2025 12:34

O Supremo Tribunal Federal determinou, nesta sexta-feira (18), a instalação de tornozeleira eletrônica em Jair Bolsonaro (PL) e impôs severas restrições à sua liberdade, após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão em sua residência e na sede nacional do PL, motivada por risco concreto de fuga para os Estados Unidos, aliados à escalada de ações diplomáticas coordenadas entre ex-presidentes Bolsonaro e Donald Trump, atual presidente dos EUA.

O ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos, explicou que, embora o passaporte de Bolsonaro esteja retido desde fevereiro de 2024, os EUA possuem instrumentos jurídicos que permitiriam sua transferência mesmo sem documento oficial – o que justifica a intensificação das medidas cautelares. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à operação.

Dinheiro vivo, pen drive escondido e celular

Agentes da PF informaram ao STF que foram encontrados cerca de US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie na residência do ex-presidente. Embora não sejam ilegalmente mantidos, valores em dólares acima dos US$ 10 mil devem ser declarados à Receita Federal em viagem internacional.

Além disso, foi apreendido um pen drive escondido em um banheiro, encaminhado para perícia no laboratório da PF, e o celular pessoal de Bolsonaro.

O advogado Celso Vilardi, responsável pela defesa, afirmou que o ex-presidente só se manifestará após acessar a íntegra da decisão judicial e que deverá retornar à residência após a instalação da tornozeleira eletrônica.

Proibições e monitoramento reforçado

Para reforçar o controle sobre Bolsonaro, Moraes incluiu no decreto judicial a proibição de aproximação de embaixadas e comunicação com diplomatas estrangeiros, bem como contato com seu filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), apontado como principal facilitador de articulações conservadoras nos EUA.

A Corte avaliou que a atuação direta de Eduardo em mobilizações políticas junto a Trump e retaliações econômicas – como a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada nos EUA – reforçam o grau de risco de influência externa.

Contexto diplomático e ofensiva da Rumble nos EUA

A ofensiva política cruzada ganhou contornos concretos com o anúncio, dois dias antes da operação, de tarifa de 50% por Trump, motivada por decisões do STF contra Bolsonaro e plataformas digitais. A medida foi vista como retaliação direta à atuação do Judiciário federal brasileiro.

Na casa do ex-presidente, agentes federais também localizaram uma cópia da petição inicial da Rumble, plataforma de vídeos que, em parceria com o Trump Media & Technology Group, move processo nos EUA contra o ministro Alexandre de Moraes. A ação acusa o magistrado de censura, questionando a validade das decisões judiciais brasileiras no território americano.

Nova escalada entre Judiciário e ex-presidente

A operação desta sexta marca um ápice na tensão entre o STF e Bolsonaro — que já acumula diversas investigações. Ao justificar a medida, Moraes acionou o temor de obstrução judicial e ameaça ao Estado de Direito, cenário agravado pela articulação política internacional e risco de contingência legal além das fronteiras.

Com a base política fragilizada e sob intenso cerco jurídico, Jair Bolsonaro enfrenta o momento mais delicado desde que deixou a Presidência.